Possível alta na cotação da arroba pós-paralisação deve influenciar os confinadores

Apesar do cenário de alta nos preços de insumos para alimentação dos animais, em parte decorrente da greve dos caminhoneiros, o confinamento deve crescer em 2018. De acordo com o analista Maurício Nogueira, da Athenagro (antiga Agroconsult Pecuária), ainda não é possível estimar o percentual, mas a atividade deve fechar o ano com mais de 5,2 milhões de cabeças confinadas, somando os animais engordados no cocho em Terminação Intensiva a Pasto (TIP).

“A elevação nos custos não muda o fato de que o pecuarista precisa entregar seus animais para o abate e mudar a dieta pode comprometer os ganhos da atividade. Por isso, devemos, no mínimo, ter o mesmo volume de animais confinados do ano passado”, destacou. “No Brasil, o confinamento é uma necessidade para manter a engorda no período de seca”, acrescentou.

Até o início de junho, a Athenagro estima que os custos de produção do confinamento subiram mais de 25%. No entanto, Nogueira destaca que isso não deve assustar os produtores, uma vez que o setor ainda passa por um balizamento pós-greve. “Os preços dos insumos de alimentação têm oscilado diariamente, mas em breve devemos ter uma normalização”.

Um dos fatores que deve influenciar os confinadores é a possível alta na cotação da arroba. O analista explica que a paralisação no transporte de cargas no período da greve fez com que a indústria permanecesse com estoques cheios e, à medida que a carne for escoada para os supermercados, haverá a necessidade de aumentar o fluxo de abates. “Com isso, a arroba deve dar uma guinada e o mercado permanecerá aquecido no segundo semestre”, avaliou.

O mesmo movimento deve se refletir nas exportações de carne. A Athenagro estima que o setor deixou de faturar em torno de US$ 250 milhões, com base na receita dos embarques prevista para o mês de maio. “Os importadores provavelmente também estão com estoques reduzidos e devem aumentar o volume de suas importações nos próximos meses”, concluiu Maurício Nogueira.



Fonte: DBO

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