Objetivo é proteger o setor agropecuário das tarifas decorrentes das disputas comerciais com outros países

O governo dos EUA anunciou nesta terça-feira um plano para oferecer até US$ 12 bilhões em ajuda de emergência a agricultores prejudicados pelas tarifas. O plano inclui pagamentos diretos a produtores rurais, além da compra de alimentos e um programa para promover commodities agrícolas dos EUA em novos mercados. Segundo o jornal The Washington Post, os pagamentos começaram a ser liberados a partir de setembro.

A ajuda a agricultores norte-americanos afetados pelas disputas comerciais entre Estados Unidos e importantes parceiros comerciais será oferecida apenas uma vez, segundo o Departamento de Agricultura do país (USDA). A ideia é dar ao presidente Donald Trump e a outras autoridades do governo algum tempo para concluir negociações comerciais com China, México e a União Europeia. Esses acordos resultariam no fim das tarifas que já afetaram os preços de grãos e de animais de produção nos EUA, disseram em teleconferência funcionários do USDA, acrescentando que essas disputas comerciais devem ser resolvidas ao longo do próximo ano. “Esta é uma solução de curto prazo que dará ao presidente Trump e sua administração tempo para trabalhar em acordos comerciais de longo prazo”, disse o secretário de Agricultura dos EUA, Sonny Perdue.

No começo deste mês, a China sobretaxou em 25% produtos norte-americanos como soja, carne suína e carne de frango. Isso fez com que os preços da oleaginosa na Bolsa de Chicago (CBOT) atingissem recentemente o menor nível em quase dez anos. Os produtos do setor agropecuário se tornaram alvo porque afetam diretamente Estados onde Trump tem grande apoio, e isso poderia influenciar os resultados das eleições de meio de mandato, disseram fontes com conhecimento da estratégia de Pequim. Da mesma forma, a ajuda de Trump aos Estados rurais pode ser uma tática dos EUA para levar a China à mesa de negociação, disse Dave Marshall, da First Choice Commodities.

A disputa com o México já levou o país latino-americano a impor tarifas contra produtos dos EUA como carne suína e queijo. Muitos acreditam que o milho será incluído na lista em caso de uma escalada das tensões. Isso seria outro grande golpe para os agricultores, já que o México é o principal comprador de milho dos EUA.

Vários legisladores dos EUA, inclusive alguns do Partido Republicano, minimizaram o impacto do plano e pediram soluções de longo prazo que beneficiem produtores rurais e honrem antigas relações comerciais.

Segundo funcionários do USDA, o pacote de ajuda tem como objetivo mostrar que o governo Trump está levando a sério as negociações comerciais. O subsecretário do USDA para marketing e programas regulatórios, Greg Ibach, disse que a ajuda vai beneficiar também outros setores da economia rural, como empresas de sementes e fabricantes de equipamentos. Agricultores vão “reinvestir esses recursos em suas comunidades”, afirmou.

Fonte: ESTADÃO CONTEÚDO.

Foto: DIVULGAÇÃO MONSANTO

Fonte: DBO

Notícias