Plantio de árvores melhora o conforto térmico dos animais, mas exige cuidados anteriores à implantação

De que as árvores melhoram o conforto térmico dos animais no pasto ninguém duvida, mas o que é possível fazer para melhorar a ambientação gastando pouco? Roberta Carnevalli, pesquisadora da Embrapa Agrossilvipastoril recomenda o plantio de árvores frutíferas, principalmente em pequenas propriedades de gado leiteiro.

Recentemente, durante a preparação de uma área que irá receber bezerras recém-desmamadas, com idade entre 2 e 7 meses, ela vivenciou situações que podem ajudar o produtor a se decidir por uma espécie em detrimento de outra. Acompanhe as dicas:

Olho no espaçamento - Na hora de escolher a árvore frutífera que irá implantar, Roberta lembra que o produtor precisa ter em mente que o espaçamento na pastagem não segue o parâmetro adotado em um pomar. “Para não sombrear o capim, a distância entre as árvores vai ser maior, então pode acontecer de determinada árvore, que vai bem cultivada ao lado de outras, ter problemas”, diz. Um exemplo seria não se adaptar às condições do vento.

Compatibilidade com a presença dos animais - Outra questão que surge é o perfil da copa das árvores, que pode ser adequado ou, com algumas podas, ajustado ou não à presença dos animais. “No caso do experimento, descartamos a acerola roxa por conta disso. Ainda que tenhamos feito várias podas, o caule dela não ganhava altura em relação à copa, dificultando o consórcio com animais”, afirma Roberta.

De acordo com ela, o que vai determinar essa compatibilidade é a estatura do rebanho, somada ao tempo necessário para as árvores atingirem uma altura mínima que viabilize a introdução dos animais.

Demanda hídrica - Na Embrapa Agrossilvipastoril, em Sinop, MT, também interferiu na escolha inicial pelas árvores frutíferas a opção por espécies populares, de fácil acesso pelo produtor. Entre as selecionadas estavam a acerola, o caju, cajá, banana, coco e goiaba. “Mas acabamos descartando o coco e a banana por ser necessário lançar mão da irrigação para mantê-las”, diz Roberta. Atento a esse fator, o produtor também pode fazer a sua escolha, colhendo informações sobre a demanda hídrica da planta previamente à sua implantação.

Natureza dos frutos - Frutas pesadas demais, que sejam tóxicas quando verdes ou que tenham sementes grandes devem ser evitadas. “Se for pesada demais pode ser um problema quando eventualmente cair na cabeça dos animais. E uma vez estando no chão, pronta para ser consumida, não pode ser tóxica nem provocar engasgamento”.

Condição de sombreamento - Por último, Roberta lembra que a árvore está ali para cumprir uma função primeira, que é fazer sombra. Daí a importância de conhecer o ciclo de cada espécie.

“O cajá, por exemplo, tem uma particularidade interessante. Como ele perde as folhas no período seco, nos primeiros anos do seu desenvolvimento, não deve ser plantado sem que haja no pasto outras árvores. Caso contrário, quando o calor for mais crítico, o produtor não poderá contar com áreas de sombra para seus animais”, completa a pesquisadora.


Fonte: DBO

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