Rede ILPF pretende criar fundo que possa repassar, de forma mais fácil e flexível, recursos aos produtores que adotem a tecnologia

Uma das dificuldades atuais da implantação de sistemas de integração lavoura-pecuária-floresta (ILPF) está na obtenção de crédito para financiar os gastos iniciais do modelo. O Plano Safra oferece a linha ABC - que também contempla recuperação de pastagens, plantio direto e outras tecnologias -, mas muitos produtores já relataram dificuldade em encontrar agências que ofereçam essa opção. E é na expansão e facilitação desse tipo de crédito que a Associação Rede ILPF, formada por Embrapa, John Deere, Cocamar, Syngenta, Soesp, Bradesco e SOS Mata Atlântica, pretende trabalhar. “Estamos conversando intensamente com o sistema bancário e com financiadores para oferecer um pacote de benefícios financeiros para o produtor, para que ele tenha incentivo extra para a adoção da tecnologia”, afirma Renato Rodrigues, presidente do Conselho Gestor da entidade.

O objetivo da associação é criar um fundo, composto também por empréstimos internacionais, que poderia repassar recursos aos produtores. “A ideia é que esse mecanismo seja mais flexível e acessível para o produtor”, explica Rodrigues. Os rendimentos do fundo ainda custeariam as ações da associação. Além do Bradesco, que se uniu recentemente à associação, a Rede ILPF já vem articulando parcerias com organismos internacionais como a Agência Francesa de Desenvolvimento (AFD) e a Sociedade Alemã de Cooperação Internacional (GIZ).

O Bradesco garante que tem condições técnicas e de alcance para oferecer crédito voltado a sistemas integrados, uma vez que já disponibiliza outros produtos para pecuaristas e agricultores. “O banco tem capilaridade, está presente em todo o território nacional, então tem essa facilidade de colocar linhas de crédito para que o produtor consiga adotar essas tecnologias de forma efetiva”, diz Aurélio Guido Pagani, diretor do Bradesco.

A princípio, os produtores que terão acesso aos recursos do fundo serão os que fizerem parte do programa “Rede ILPF: 1 milhão de hectares para a agricultura do futuro e a segurança alimentar no Brasil”. Como o nome diz, a meta é ter pelo menos 1 milhão de novos hectares com ILPF cadastrados no projeto até 2030. De acordo com pesquisa da Rede ILPF, em 2016, o país tinha 11,5 milhões de hectares com algum tipo de integração, sendo 9% - cerca de 1,03 milhão de ha - de ILPF.

O foco também será agregar valor à produção por meio da certificação de fazendas. A assistência técnica não será esquecida. O programa pretende avançar na capacitação de profissionais especializados em ILPF, ponto que atualmente é um entrave para o avanço dos sistemas, e na transferência direta para os produtores. Uma plataforma digital de assistência técnica deve ser desenvolvida para que o acesso seja mais fácil. “Os dias de campo vão continuar existindo, mas precisamos olhar também para o digital”.

Em relação à viabilidade financeira dos sistemas integrados, Renato Rodrigues afirma que eles são válidos para todas as regiões e todos os tamanhos de produtores. “Temos pequenos, médios e grandes usando e tendo sucesso. Tem uma taxa de aumento de pelo menos 30% na produtividade no médio prazo, além de uma série de benefícios ambientais que se refletem em financeiros”.

Fonte: Portal DBO

Fonte: DBO

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