Entenda como é formado o valor que afeta os preços nos portos do país

Nas últimas semanas, com o acirramento da disputa comercial entre Estados Unidos e China, as cotações da soja na Bolsa de Chicago fecharam vários dias em baixa. Por outro lado, os prêmios de exportação no Brasil têm crescido – os valores para os contratos de julho a setembro variam de US$ 1,75 a US$ 1,85/bushel considerando o Porto de Paranaguá -, ajudando a reduzir a queda nos preços da CBOT. Mas como funciona o prêmio? “O prêmio é um produto negociado entre importador e exportador e que favorece um ajuste entre Brasil e Estados Unidos, e também em relação à taxa de câmbio”, explica Lucilio Alves, pesquisador responsável pela equipe de grãos do Cepea.

“Eu costumo dizer que é a cenoura para tirar o coelho da toca. É uma forma de corrigir o mercado local, porque, às vezes, você tem situações como a atual em Chicago, que reflete muito mais o momento da soja americana do que o mercado internacional. E daí você corrige via prêmio”, afirma André Pessôa, sócio diretor da Agroconsult.

De acordo com Alves, o prêmio toma como referência o porto do produto em negociação e o mês de embarque, além de aspectos de oferta e demanda pelo complexo soja, por isso os valores oscilam com frequência. “Se as cotações caírem em Chicago e os agentes precisarem manter o preço no Brasil para realizar negócios, o prêmio vai subir. Se a taxa de câmbio no Brasil subir e os agentes acharem que não há necessidade de aumentar o preço da soja no país, o valor do prêmio vai cair e isso vai manter inalterado o total em reais”, exemplifica o pesquisador.

Os valores de prêmio ainda podem ser negativos, dependendo do contexto do mercado. “Suponha que o mês de referência seja março, período de entressafra nos EUA, então a tendência é de preços mais altos em Chicago. Mas, no Brasil, é época de colheita e sabemos que o produtor vai ter necessidade de venda. Nesse caso, por exemplo, o prêmio pode ser negativo, porque a empresa estará disposta a pagar menos do que paga para a soja norte-americana”, diz o pesquisador do Cepea. Porém, de acordo com ele, isso não é uma regra fixa e pode ser que, dependendo da situação do mercado, os prêmios sejam positivos no período de colheita brasileira, por exemplo.

Apesar de não estar seguindo o mesmo movimento de alta da soja, já que a China é quase autossuficiente em milho, o cereal também conta com prêmio de exportação, afirma Rafael Ribeiro, analista da Scot Consultoria. O valor para o contrato de agosto – com base no Porto de Paranaguá – é de US$ 0,8/bushel.

Fonte: Portal DBO.


Fonte: DBO

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