Pesquisa tenta antecipar predição sobre touros por meio de computadores de última geração

Com larga experiência em análise de sêmen, o médico veterinário José Roberto Potiens, responsável técnico da Seleon Biotecnologia, de Itatinga, SP, está na vanguarda de uma pesquisa envolvendo a busca pela comprovação da fertilidade de touros. Em função dos elevados custos e do tempo gasto para se testarem touros que ainda não possuem histórico conhecido de fertilidade a campo na IATF (inseminação artificial em tempo fixo), o estudo de Potiens visa antecipar essa predição usando testes laboratoriais por meio de equipamentos computadorizados de última geração.

“Identificamos, por meio de estudos observacionais, quais parâmetros oferecidos pela análise computadorizada são mais relevantes na fertilidade. Os bons resultados que já surgem comprovam que estamos no caminho certo”, avalia.Ainda de acordo com Potiens, dentre os desdobramentos da análise computadorizada, é possível estimar o grau de hiperativação/capacitação espermática, e correlacioná-lo com o status do folículo pré-ovulatório das vacas sincronizadas para IATF. “O objetivo do trabalho será a indicação de touros/partidas cujas características se adequem de forma mais eficiente para categorias de fêmeas em diferentes contextos fisiológicos”, afirma Potiens. A meta é ganhar alguns pontos percentuais em taxa de gestação. “Para melhorarmos a média de 50% de prenhez ou um pouco mais que se estabeleceu ao longo de uma década de uso da IATF, é preciso se pensar nessa sintonia fina”, justifica.

Trata-se, diz o veterinário da Seleon, de um sistema que vai muito além dos métodos de análises convencionais, tais como concentração de espermatozoides na palheta, motilidade e vigor espermáticos e percentual de defeitos morfológicos dos espermatozoides. “O problema é que essas avaliações convencionais são subjetivas, ou seja, dependem muito da percepção e critérios de cada técnico. Além disso, não têm demonstrado correlação segura com os resultados de campo da IATF”, observa Potiens. Outro ponto positivo oriundo deste trabalho é que, por meio da análise computadorizada, será possível que se faça uma projeção de eventuais resultados de campo negativos de certas partidas de sêmen, o que resultaria no descarte desse material genético antes mesmo de seu uso a campo. “Isso evitaria surpresas desagradáveis que ocorrem com certas partidas liberadas para o campo, que nas análises convencionais de rotina parecem ter qualidade, mas que resultam em baixíssimas taxas de prenhez”, adverte Potiens.

Além disso, continua ele, numa segunda fase dos estudos, tais conhecimentos possibilitarão trabalhar de modo particular com touros que historicamente não vêm obtendo performances de campo que atendam às exigências do mercado atual. “Faremos isso pela elaboração de curvas de resfriamento/congelamento personalizadas, para impulsionar a fertilidade do sêmen desses reprodutores e visando modificar positivamente a performance de seu material fertilizante”, destaca Potiens.

*Matéria publicada na edição 443 da Revista DBO.

Fonte: Portal DBO

Fonte: DBO

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