Para uma boa prevenção da doença, são necessárias boas práticas nas aplicações dos defensivos

Causada pelo temível fungo biotrófico Phakopsora pachyrhizi, a ferrugem asiática vem alarmando há mais de uma década os técnicos e produtores de soja na grande maioria das regiões produtoras do país, pela sua agressividade e mudanças de comportamento quanto à sensibilidade aos fungicidas (sistêmicos).

Nesta safra 2017/2018, já foram relatados mais de uma centena de ocorrências de focos da doença em todo o Brasil, evoluindo significativamente nos últimos dias, quando as plantas se encontram na maioria dos cultivos na fase reprodutiva. Este período é considerado bastante crítico quanto à suscetibilidade das plantas e o que se pode acarretar para o seu potencial produtivo.

Aliado ao estádio crítico da cultura (reprodutivo), o fator climático tem contribuído sobremaneira para agravar ainda mais os riscos de epidemias nesta safra. Todo o cuidado deve ser redobrado no que se refere às aplicações preventivas e curativas dos fungicidas para se obter o melhor desempenho deles, sem esquecer as boas práticas relacionadas à tecnologia de aplicação visando uma boa cobertura e proteção das plantas.

Reforçar a importância de se atingir as partes baixeiras das plantas, onde aparecem os primeiros sintomas da doença. O diagnóstico correto é fundamental para as tomadas de decisão e a necessidade de se atingir adequadamente o alvo, em especial para a primeira aplicação da lavoura, preferencialmente efetuada antes do fechamento das linhas. Para as demais aplicações, o intervalo entre elas deve ser rigorosamente obedecido de acordo com as recomendações atuais, geralmente de 14 a 15 dias.

O uso de fungicidas é praticamente a única alternativa de manejo das doenças quando a cultura da soja encontra-se instalada. Particularmente para a ferrugem, o uso dos fungicidas sistêmicos associados aos multissítios são obrigatórios para minimizar os danos e os riscos da resistência do fungo, esta já amplamente conhecida para os três principais grupos químicos utilizados (DMIs, QoIs e SDHIs).

Para esta safra, em especial nas regiões onde vêm ocorrendo maiores precipitações, é importante estar alerta para a escolha do momento correto das aplicações e para a escolha de produtos registrados e avaliados pelas instituições de pesquisa, para evitar problemas de falha no controle das doenças ou investimentos desnecessários. Alerta-se ainda para a adoção de um programa diversificado quanto aos grupos de fungicidas, além do uso correto das doses de registro, do intervalo entre as aplicações e dos adjuvantes recomendados para cada produto.

Portanto, neste cenário de safra com uma presença expressiva de inóculo (uredosporos) distribuído na grande maioria das lavouras de soja do país e de uma favorabilidade climática para o desenvolvimento da doença, o impacto da ferrugem pode ser ainda maior se falhas de naturezas diversas ocorrerem antes e durante as aplicações dos fungicidas, acarretando em queda de eficiência e de rendimento da cultura.

Finalizando, o Instituto Biológico vem dando continuidade aos estudos sobre o monitoramento da sensibilidade das populações de P. pachyrhizi aos fungicidas de diferentes grupos químicos, empregando a metodologia de folhas destacadas (de acordo com o FRAC - Comitê de Ação à Resistência de Fungicidas), além de estar desenvolvendo durante a safra 2107/2018, os ensaios de campo de rede nacional visando também monitorar a resistência do fungo no Estado de São Paulo.

*Silvânia H. Furlan é pesquisadora do Instituto Biológico/Apta –Lab. Fitopatologia e integrante do Eagle Team.

Assessoria

Fonte: dbo

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